Sócrates mostrava um caminho para a filosofia que jamais poderia ser encontrado num texto. Ele falava de uma anamnesis, de um mergulho na memória pessoal em busca do instante do nascimento da consciência filosófica. A consciência filosófica era a antevisão das formas universais eternas. Essas formas transcendiam infinitamente a esfera da experiência corporal, portanto também da memória sensível, mas, em algum momento esquecido do tempo, haviam se entremostrado nela e despertado, na alma do indivíduo carnal, a aspiração do Bem supremo.
No curso posterior da vida, a maioria dos homens se esquecia desse momento para sempre. Em outros, a ocultação era parcial. Se o objeto experienciado desaparecia da consciência, a aspiração a que ele dera nascimento permanecia viva. Viva, mas buscando satisfação a esmo em objetos impróprios, errando entre símbolos e simulacros até atinar -ou não- com o caminho de volta.
O encontro do aprendiz com o filósofo maduro era um momento decisivo dessa busca. O filósofo atraía os discípulos porque algo, nele, evocava o Bem supremo. O filósofo era um símbolo. O discípulo podia agarrar-se a ele como a qualquer outro símbolo, adorando-o ao ponto de desejar possuí-lo carnalmente. É o que Alcebíades, após a noitada do Banquete, confessa a Sócrates. Mas Sócrates lhe explica que ele está buscando na direção errada. O que move a alma do discípulo é o desejo de um bem espiritual esquecido, que a carne de Sócrates não pode satisfazer. O filósofo é um símbolo do Bem e não o próprio Bem. Nesse sentido, ele não é diferente de qualquer outro símbolo. Mas ele não é apenas símbolo. Ele não se limita a representar exteriormente o Bem, como a beleza material o representa sem saber o que faz. Ele é um registro consciente daquele Bem que ele próprio simboliza. Ele é o homem que realizou a anamnesis e descobriu na própria alma a abertura para o Bem. Por isso ele pode ensinar a Alcebíades o caminho de volta, mostrar que esse caminho não se encontra no corpo de Sócrates, e sim na alma de Alcebíades. Ele convida o discípulo à metanóia, ao giro da direção da atenção desde fora para dentro, desde a atualidade dos sinais sensíveis para a escuridão da memória, em cujo fundo brilha, escondida, a recordação da abertura primordial para a experiência do Bem e das formas eternas.
domingo, 16 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
A CONDENAÇAO DE SOCRATES
Sócrates, filósofo grego, exercendo considerável influência sobre a juventude aristocrática, demonstrando hostilidade à tirania de Crícias, foi acusado de impiedade e condenado a envenenar-se tomando cicuta (veneno extraído de planta com o mesmo nome) em Atenas, no ano de 399 AC.Entre os atenienses, o Processo Penal se caracterizava "pela participação direta dos cidadãos no exercício da acusação e da jurisdição, e pela oralidade e publicidade dos debates" (Fernando Tourinho, in "Processo Penal", vol. 1, 10ª Ed., Saraiva, 1987, p. 61).
Pela escassez de dados da época, muito que se sabe de Sócrates foi escrito por Platão ou Xenofonte (Nuvens de Aristófanes ou Memórias de Sócrates).
A justiça estava organizada da seguinte forma: Os Arcontes (magistrados gregos), no princípio de cada ano, sorteavam seis mil atenienses de idade superior à trinta anos, de onde extraiam quinhentos juízes para cada processo. O segundo sorteio, o definitivo, tinha lugar durante a manhã do julgamento, para evitar que os imputados pudessem corromper os juizes (Tribunal dos Heliastas que exercia a jurisdição comum).
Dois dos juízes de Sócrates foram Eutímaco e Calión. Calión teria dito: "São demasiados os que se sentem estúpidos ante ele (Sócrates), e ninguém é mais vingativo do que alguém que se dá conta que é inferior. Se o condenam a morte, de nada terá que queixar-se, mais que de si mesmo: Sócrates é o indivíduo mais presunçoso que já nasceu neste mundo. Aí está esse velho irredutível. Se o vês, parece que, mais que a um processo por impiedade, se dirije a um banquete: sorri, se detém a falar com os amigos e saúda a todos que vê!"
Heliastas - proclama o chanceler do tribunal - os deuses elegeram vossos nomes da urna para que podeis absolver ou condenar a Sócrates, filho de Sofronisco, da acusação de impiedade feita contra ele por Meleto, filho de Meleto.
Com a palavra Meleto (acusação): "Eu, Meleto, filho de Meleto, acuso a Sócrates de corromper os jovens, de não reconhecer os deuses que a cidade reconhece, de crer nos demônios e de praticar cultos religiosos estranhos contra os outros...- Eu, Meleto, filho de Meleto, acuso a Sócrates de imiscuir-se em em coisas que não lhe dizem respeito; de investigar sobre o que há embaixo da terra e o que há sobre o céu e de discutir com todos e acerca de tudo, tentando sempre fazer parecer como melhor. Por estes delitos solicito aos atenienses que o enviem à morte!"
Depois sobem à tribuna outros dois acusadores: Anito e Licón. Após, o chanceler dá a palavra a Sócrates: "E agora tem a palavra Sócrates, filho de Sofronisco!"
Sócrates (defesa): "Não sei que impressão haveis experimentado vós, atenienses, ao ouvir as razões de meus acusadores. O certo é que foi tão e tão grande a persuasão que, se não se tratasse de minha pessoa, também eu creria em suas palavras. O caso é que estes cidadãos não disseram absolutamente nada que tenha que ver com a verdade. E agora me perdoais se não lhes faço um discurso adornado com belas frases. Falarei como estou acostumado a fazê-lo, sem cerimônias, mas em compensação procurarei dizer sempre o justo, e vois devem fixardes só nisto: se o que estou por dizer é justo ou não!""...me pus a ação e fui ver um desses que têm fama de sábio. Não os direi o nome, atenienses: basta saber que era um de nosso políticos. Pois bem, este bom homem me parece , sim, que tinha ar de sábio, mas que, na realidade, não o era em absoluto. Então procurei fazê-lo entender e ele, por causa disso, me odiou. Imediatamente depois fui ver alguns poetas: conheci suas poesias, ou ao menos as que me pareciam melhores, e os perguntei o que queriam dizer. Cidadãos..., me dá vergonha dizer-lhes a verdade... Quem pior discorria, sobre uma composição poética qualquer, era justamente o seu autor! Depois dos políticos e dos poetas me dirigi aos artesãos e... o que adivinhas que descobri? Que eles, conscientes de exercer bem sua profissão, pensavam que eram sábios também em outras coisas, inclusive mais importantes e difíceis. A essa altura compreendi o que havia querido dizer o oráculo: "Sócrates é o mais sábio dos homens porque é o único que sabe que não sabe". Entretanto, sem embargo, me havia atraído o ódio dos poetas, dos políticos e dos artesãos; e não é casualidade que hoje me vejo acusado no tribunal por Meleto que é um poeta, por Anito que é um político e artesão e por Licón que é um orador."
Sobre a acusação de não crer nos deuses, mas crer no diabo, Sócrates teria dito: "E quem seriam estes (os demônios)? Filhos malvados dos deuses? Assim pois, afirmas que não creio nos deuses, senão só na existência dos filhos dos deuses. É como dizer que creio nos filhos dos cavalos, mas não nos cavalos."Condenação: "Cidadãos de Atenas! - proclama com solenidade o chanceler - Esta é a sentença emitida pelos Heliastas: votos brancos, 220; votos negros, 280. Sócrates, filho de Sofronisco, é condenado à morte!"
Conforme a lei, Sócrates teve a oportunidade de propor uma pena alternativa, mas antes teria se manifestado: "Uma pena alternativa? E o que foi feito para se merecer uma pena? Durante toda a vida tenho descuidado de meus interesses pessoais, minha família e minha casa. Nunca aspirado a mandos militares nem a honras públicas. Não tenho participado de conspirações nem em outras forma de rebelião. Que pena correspondem a quem tem feito isso? Não quero equivocar-me, mas creio ter direito só a um prêmio, o de ser alojado e mantido em um Pritaneo (Edifício sagrado) às expensas do Estado"
Depois de protestos, Sócrates falou mais uma vez: "Está bem. Aqui estão meus amigos que insistem para que me multe a mim mesmo por trinta minas. Eles mesmos, segundo parece, se oferecem como garantes".
Na segunda votação, Sócrates foi condenado à morte por 360 votos contra 140.No dia da execução, o escravo entrega a taça de veneno a Sócrates e, este sem vacilar, toma-o em um trago. Depois de andar pela cela, começa a sentir as pernas cada vez mais pesadas, se deita e espera com calma o fim.
O escravo lhe aperta com força uma perna e lhe pergunta se sente a pressão da mão. Sócrates responde que não: o veneno começa a fazer efeito.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
SOU ASSIM
Eu sou uma pessoa que sonha em ser alguem. Para isto tenho que traçar minhas proprias metas. A realizaçao de um sonho deve sair da concretizaçao de cada uma das metas traçadas. Para isto meu esforço sera´ fundamental. Meu sonho e´ um sonho simples de um cidadao simples. Um trabalho digno e dignamente remunerado, uma familia digna e um lar digno. Alcançar este objetivo e´ a minha maneira de concretizar o meu sonho. Vocaçao e´ uma peça rara, entao o trabalho passa a ser a meta. A familia e´ a base onde o amor e a ajuda mutua hao de construir o lar.
Maicon Quirgo
Maicon Quirgo
quarta-feira, 22 de julho de 2009
UM REI
Menino humilde, proveniente de família pobre, cresceu vendo os amigos metidos com o tráfico de drogas e empunhando armas de fogo. Seu sonho era se tornar um jogador de futebol e aos dezessete anos já estava incluído no plantel principal do time de seu coração. Não demorou muito a fazer os gols que o levaram a brilhar e o conduzir à seleção. Aos dezenove anos foi convocado pelo técnico Émerson Leão e, ainda muito cedo, vendido para a Europa, onde ganhou prestígio e fama mundial com a camisa da Internazionale, além do apelido carinhoso com que os adeptos da Inter o ovacionavam: Imperador. O tempo foi passando, a idade chegando e o título de Imperador permanecia e se perpetuava na memória de todos, tanto dos fãs quanto dos críticos que não largavam de seu pé. Longe de casa Adriano foi perdendo o gosto pelo futebol e cada vez vinha atuando menos nos gramados, o que gerou uma mudança de opinião quanto ao seu real valor de jogador profissional. Somente os que realmente conheciam Adriano é que poderiam ajudá-lo naquele momento difícil e isto ficava evidente em seus próprios pensamentos, já que "a eternidade" de suas origens era de que sentia falta. Enfim regressa ao Brasil, ao Rio de Janeiro, ao Flamengo buscando novos ares - que em verdade eram os velhos ares que bem conhecia. Desejo de coração que este guerreiro encontre seus verdadeiros companheiros para ajudá-lo a retomar o caminho da excelência no campo, que automaticamente estará retomando o caminho da excelência na vida.
Leandr0 Falca0
Leandr0 Falca0
quarta-feira, 15 de julho de 2009
René Girard vê como se lê a Bíblia atualmente

Hoje se publicam mais livros sobre a Bíblia do que nunca, mas a Bíblia nunca esteve tão pouco presente em nossa história. É preciso ver tal situação de uma perspectiva nietzscheana-heideggeriana: “o retraimento de Deus”. Acho que a expressão heideggeriana “o retraimento de Deus” é na verdade antinietzscheana, já que a “morte de Deus” é ainda muito cristã para ele. Afinal, o Deus que morre é Cristo. E uma vez que Deus morre, a idéia de ressurreição tem de vir logo em seguida: como vimos, é o que acontece no aforismo 125 de A gaia ciência, um dos textos mais impressionantes de Nietzsche, no qual ele consegue dizer coisas que vão além de sua própria indagação. A morte de Deus e a pergunta acerca de como podemos oferecer reparação por essa morte levaram Nietzsche à idéia do assassinato fundador. A noção heideggeriana de retraimento dos deuses constitui um esforço para negar a primazia do Deus bíblico ainda presente na fórmula nietzscheana. A fórmula proposta por Heidegger significa que a religião em geral está perdendo espaço, não só o Deus cristão; o que é verdade. A antiga ordem sacrificial pagã está desaparecendo por causa do Cristianismo! Este parece estar morrendo com as religiões que faz perecer, visto ser considerado apenas mais uma religião mítica em termos sacrificiais. O Cristianismo não é apenas uma das religiões destruídas, é o agente dessa destruição. A morte de Deus é, em todos os sentidos, um fenômeno cristão. O ateísmo moderno corresponde a uma invenção cristã. Inexiste ateísmo no mundo antigo, excetuando-se o epicurismo, que era limitado e cuja negação dos deuses não era particularmente incisiva, beligerante. Não negava Deus contra alguma coisa ou alguém, não exibindo o forte caráter negativo do ateísmo moderno.
O desaparecimento da religião é um fenômeno cristão por excelência, pois. Quando falo de desaparecimento, refiro-me à religião como algo que associamos à ordem sacrificial. E a religião assim entendida continuará a desaparecer em todo o mundo. Conversei com um estudioso de sânscrito a esse respeito: tal processo também está ocorrendo na Índia e, embora bem mais lento por lá, vem acelerando-se. O retraimento de todos os deuses é o primeiro fenômeno transreligioso. Outro fenômeno dessa magnitude que estamos presenciando sem nos darmos conta é o fundamentalismo. E é interessante observar que os fundamentalistas não tomam conhecimento dos fundamentalistas de outras religiões. São inteiramente autocentrados, interessando-se apenas pelo seu próprio fundamentalismo e lutando pela extinção de outras formas de religião. Por exemplo, parece-nos inconcebível uma Internacional fundamentalista, embora possamos imaginar uma ateísta. Mas, a meu ver, ambos são aspectos da mesma destruição da religião, destruição essa que é essencialmente uma decorrência do Cristianismo, pelo fato de desacreditar o sacrifício. Sem acreditarmos em sua eficácia, este não pode existir. Graças ao Cristianismo, não mais acreditamos.
O desaparecimento da religião é um fenômeno cristão por excelência, pois. Quando falo de desaparecimento, refiro-me à religião como algo que associamos à ordem sacrificial. E a religião assim entendida continuará a desaparecer em todo o mundo. Conversei com um estudioso de sânscrito a esse respeito: tal processo também está ocorrendo na Índia e, embora bem mais lento por lá, vem acelerando-se. O retraimento de todos os deuses é o primeiro fenômeno transreligioso. Outro fenômeno dessa magnitude que estamos presenciando sem nos darmos conta é o fundamentalismo. E é interessante observar que os fundamentalistas não tomam conhecimento dos fundamentalistas de outras religiões. São inteiramente autocentrados, interessando-se apenas pelo seu próprio fundamentalismo e lutando pela extinção de outras formas de religião. Por exemplo, parece-nos inconcebível uma Internacional fundamentalista, embora possamos imaginar uma ateísta. Mas, a meu ver, ambos são aspectos da mesma destruição da religião, destruição essa que é essencialmente uma decorrência do Cristianismo, pelo fato de desacreditar o sacrifício. Sem acreditarmos em sua eficácia, este não pode existir. Graças ao Cristianismo, não mais acreditamos.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
NÓS E OS OUTROS

Se passarmos os olhos pelas diversas épocas, verificaremos desde logo que os que mais brilharam, os que receberam o afago dos elogios fáceis, os que empolgaram mais facilmente grupos imensos de admiradores não foram os maiores de sua época, mas os menores, os que encontram um lugar inexpressivo na história do conhecimento humano.
Não é de espantar que, em Atenas, a democracia grega (que o era apenas de uma minoria de senhores e de uma maioria de escravos) condenasse Sócrates à morte, porque ele ensinara aos homens serem mais dignos, mais nobres e mais honestos? Não é de espantar que Platão permanecesse quase anônimo ante o seu povo, enquanto um Górgias, um Hipias brilhavam como luminares do saber?
E não se acusem os gregos desse defeito. Ele se repete sempre em toda a história humana. Não vimos em pleno século XVIII Hegel pontificar na Alemanha como filósofo absoluto, Krause, no fim do século passado, empolgar multidões de pensadores, Bergson brilhar no princípio deste com uma auréola que empalidecia os grandes luminares do passado, e modernamente um Sartre ser erguido às culminâncias, para em muito breve despencar-se, enquanto ainda há literatos da filosofia que ascendem um Russel, um Moritz aos pináculos do conhecimento?
Não vimos a tremenda propaganda que em nossos dias receberam vultos de medíocre valor, a ponto de serem considerados por muitos como definitivos marcos no caminho do saber, após os quais nada mais cabia para ser feito?
Não é de espantar que, em Atenas, a democracia grega (que o era apenas de uma minoria de senhores e de uma maioria de escravos) condenasse Sócrates à morte, porque ele ensinara aos homens serem mais dignos, mais nobres e mais honestos? Não é de espantar que Platão permanecesse quase anônimo ante o seu povo, enquanto um Górgias, um Hipias brilhavam como luminares do saber?
E não se acusem os gregos desse defeito. Ele se repete sempre em toda a história humana. Não vimos em pleno século XVIII Hegel pontificar na Alemanha como filósofo absoluto, Krause, no fim do século passado, empolgar multidões de pensadores, Bergson brilhar no princípio deste com uma auréola que empalidecia os grandes luminares do passado, e modernamente um Sartre ser erguido às culminâncias, para em muito breve despencar-se, enquanto ainda há literatos da filosofia que ascendem um Russel, um Moritz aos pináculos do conhecimento?
Não vimos a tremenda propaganda que em nossos dias receberam vultos de medíocre valor, a ponto de serem considerados por muitos como definitivos marcos no caminho do saber, após os quais nada mais cabia para ser feito?
ARISTÓTELES E O MUNDO

De que o mundo é feito?
Esta pergunta, que intriga o homem desde os mais remotos tempos, resultou em muitas hipóteses e teorias. Já se acreditou que tudo era formado pela água e suas mutações (Tales de Mileto – 640/562 a.C.), ou pela substância estranha Apeiron, de Anaximandro (611/545 a.C.). Só com Empédocles (492/432 a.C.) nasce a idéia de que quatro elementos fundamentais compunham tudo o que podíamos observar: a terra, o fogo, o ar e a água. Eram, então, quatro os elementos primordiais. Por outro lado, Pitágoras (570/497 a.C.) acreditava que o universo poderia ser explicado pelos números, criando uma escola intuitiva. Acreditava-se, por exemplo, que a Terra era plana e flutuava imóvel num espaço vazio. O Sol era tido como um fogo central (Filolau - 480/400 a.C.). Todas as teorias tentavam explicar como o movimento dos planetas era ordenado e que força havia por trás desses movimentos.
Surge então nosso personagem principal: Aristóteles de Estagira (384/322 a.C.), uma das mentes mais brilhantes de todos os tempos, para quem a observação é a origem do conhecimento. Para Aristóteles, a Terra é um mundo imperfeito, corruptível e sujeito a contínuas e profundas modificações. E mais, tudo tem um propósito intrínseco, ou seja, um menino cresce por que esse é seu propósito, da mesma forma que uma pedra cai porque a Terra é seu lugar natural e é lá que deve permanecer. O céu, por outro lado, é o lugar da perfeição, diante da harmonia que Aristóteles podia perceber. A diferenciação entre Céu e Terra também exigia que esses dois mundos fossem feitos de materiais diferentes. A Terra era composta pelos quatro elementos de Empédocles, mas o Céu, perfeito, era composto pelo quinto elemento, puro, inalterável, transparente e sem peso, chamado éter. Com isso, Aristóteles conseguia explicar por que na Terra as coisas cresciam e morriam e no Céu os astros eram sempre os mesmos. A Física construída por Aristóteles é uma teoria científica altamente coerente e elaborada, com base filosófica bem sedimentada e a tudo (Biologia, Filosofia) envolve. Por exemplo, considerava que a água continha terra e o vapor assumia uma tendência natural de subir, pois ao se refinar eliminava a parte imperfeita que o compunha, a terra. Física para Aristóteles é a ciência da natureza e trata de algo real - o cosmos existente, que chega a nós através dos sentidos. Tal como Aristóteles e o mundo grego a entendem, a física é o mundo dos fenômenos - o mundo que se apresenta diante de nós, considerado na sua totalidade. Quando somamos 2 + 2 e chegamos ao resultado 4 temos diante de nós um fato, embora só tenhamos chegado até este fato pelo raciocínio. O mundo real se liga à sua própria verdade pela lógica do raciocínio. Observar atentamente o mundo é o motor do raciocínio lógico. Einstein, séculos mais tarde, se curvaria a esta constatação de Aristóteles ao afirmar que o mais incompreensível do Universo é que ele é, de fato, compreensível.
sábado, 11 de julho de 2009
O MITO DA CAVERNA
No livro VII de A República, Platão narra o Mito da Caverna, uma alegoria de Sócrates sobre a concepção da realidade e do conhecimento. Estão dentro de uma caverna desde a infância homens acorrentados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; a única luz provém de uma fogueira atrás deles. Entre o fogo e os prisioneiros há um caminho por onde passam outros homens que transportam toda espécie de objetos, estatuetas de homens e de animais; uns falam, outros permanecem calados. O que esses homens acorrentados poderão observar é as sombras dos objetos projetadas no fundo da caverna. Como os homens que passam pelo muro, atrás deles, falam entre si, ouvirão os ecos que chegam a eles do fundo da caverna, atribuindo a origem dos sons às próprias sombras."De qualquer forma" - afirma Sócrates -, "pessoas nessas condições não pensavam que a realidade fosse senão a sombra dos objetos."
A caverna simboliza o mundo sensível a que estamos aprisionados e do qual só podemos perceber as sombras das coisas. O exterior é o mundo intelegível das idéias, mundo de luz, realidade objetiva e conhecimento. Cabe ao homem se libertar das correntes, sair da caverna e tomar contato com o mundo exterior.
OS GUERREIROS-GUARDIÕES DE SÓCRATES

Em "República" Platão descreve o diálogo no qual Sócrates pesquisa a natureza da justiça e da injustiça. Para isso, transferindo a análise do individual ao coletivo, imagina a construção de uma cidade ideal. À medida em que essa cidade vai sendo construída, desde sua forma mais primitiva até se tornar mais complexa, há a necessidade de uma especialização de tarefas cada vez maior. Essa cidade terá então uma classe de guardiões para defendê-la e estes deverão receber uma boa educação para que sejam, segundo Sócrates, “brandos para os compatriotas e duros para os inimigos; caso contrário não terão de esperar que outros a destruam, mas eles mesmos se anteciparão a fazê-lo”. Os gerreiros-guardiões de Sócrates receberão a melhor educação a fim de se tornar os melhores entre os cidadãos. Sua educação será à maneira tradicional grega, isto é, através da ginástica para o aprimoramento do corpo e da música para gerar harmonia na alma.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
FLAMENGO E EU
O Flamengo me ajudou a ser o que eu sou hoje, um homem do bem, com a vibração e a emoção que carrego comigo. Recordo-me de vários triunfos e uma quantidade enorme de gols do Romário. Além disso, também foi grande o aprendizado para futuramente vir a exercer o que eu aprendi, observando, observando muito, para então jogar com todos os tipos de pessoas possíveis. O futebol abriu minha visão para o mundo, quando tinha 13 anos já jogava em quase todos os condomínios de Niterói, não tinha como não viver o Futebol. Mais que jogo, era paixão. Era na praia de Icaraí onde rolava o futebol em que havia um melhor nível. Existia uma espécie de preconceito com o pessoal da minha idade e muitos dos mais velhos não nos deixavam jogar. Como em toda "turma" sempre há quem melhor entrosa com a gente e desenrolava para encaixar um ou outro em algum time. Vendo o grande baixinho Romário exibir o seu talento, seu exemplar futebol, vendo o Flamengo brilhar no gramado e principalmente na arquibancada, vendo a rapaziada jogar o fino, observando, observando sempre, tentando fazer igual, fui me tornando também bom de bola e, em muitas coisas que faço, tenho o privilégio de fazer bem, graças a Deus. Por ser um menino sonhador e deixar idéias guardadas em minha mente, fui mais de observar para aprender, mas posso afirmar com convicção ter apreendido qualidades que podem ser aproveitadas de variadas formas e aspectos. Ainda falando sobre meus talentos, que eu mesmo não sei como descrevê-los, desconfio que os encantos são de pura magia e, apesar de não saber direito se acredito, deve ser de outro mundo ou coisa parecida, coisa de lendários sábios, reis e rainhas divinos, Deuses que possuem os dons e escolhem a quem os doar, alguns simples seres humanos como eu. O que tenho em mente é que Deus quer apenas que eu viva em paz. E paz é o que todos queremos, mas antes temos que a merecer...
Leandro
Leandro
QUEM SOU EU? DIGA-ME, ESPELHO MEU!
Descrever-se é um convite. Em muitos casos, um convite à vaidade e ao exercício de narcisismo; em poucos casos, um voltar de cabeça para dentro de si e, a um só tempo, um movimento de observação e aprendizado de quem se é. Ser ou não ser, eis a mais célebre questão já levantada pelo tema. Muitas vezes descobrimos aos poucos quem realmente somos; outras perdemos muito tempo e sabemos pouco de nós mesmos; outras ainda - e este é o meu caso particular - precisamos morrer para, ao renascer, descobrirmos verdadeiramente quem somos.
Ivo
Ivo
MORA NA FILOSOFIA
Filosofia antes de tudo é a necessidade de entender a realidade que circunscreve toda a experiência. Ainda que não tenhamos o instrumento adequado para perscrutar a realidade da nossa experiência, intuimos a existência de algo que ultrapassa a esfera da experiência e possibilita a inspiração. Inspiração que estranhamente se confunde com memória.
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